De filme a Twitter, as táticas da Mattel para reabilitar Ken | Valor Online
Excelente artigo publicado no Jornal Valor, no qual se passeia pelo mundo dos bonecos e bonecas; seres inanimados, mas vivos.
De plástico, mas personagens encantadores.
Barbie e Ken formam um casal permeado pelo Marketing. Totalmente.
Não há nada em ambos que não seja fruto de um marketing cuidadoso e muito bem feito.
Durante um tempo, no entanto, quem usufruiu fortemente das estratégias foi a Barbie... então somente!
Barbie moderna, Barbie Emo, Barbie faxineira, Barbie Executiva, Barbie Motorista... Barbie pilota de Formula Indi...
Barbie tudo.
Ken nada.
Só recentemente a Mattel se ligou que o namorado... acompanhante, ficante, etc. era fundamental para a sobrevida do casal, já, aos olhos de muitos, desgastada sobremaneira.
E eis que surge TOY STORY 3; um fenômeno. Um dos poucos filmes que superaram a 1a., e também a 2a. aventura de Woody e Buzz Lightyear.
Mais que um filme; mais que um desenho para entreter a molecada (e porque não os adultos?), uma máquina de relançar produtos. Entre eles, nosso querido, e esquecido Ken.
Não mais.
No filme, Ken resurge apoteótico. Engraçadíssimo. Caricato; por vezes, ridículo.
Apresentado com o estereótipo de um metrosexual mal resolvido; as vezes afetado; as vezes bobinho; mas um bom moço.
Ken rouba a cena diversas vezes, dando ao filme uma roupagem ainda mais devertida; instigante... surpreendente.
E por que não, inovadora.
O que mais encanta, no entanto, é a possibilidade de um Ken bobão; renascendo das trevas para uma glória sem precedentes.
E um Ken que nem sabíamos que existia. Como pode... Ken... namorado da Barbie... bobão?
É um contrasenso, a princípio. Mas uma grande sacada... sem bem analisarmos.
Ao se vestir o Ken com tal estereótipo, tirou-se o personagem do armário.
And he came back to life.
Não se denegriu a imagem do personagem; brincou-se com ela.
E o púbico entendeu a brincadeira. E Ken está salvo.
No meu entender, uma ótima estratégia.
Poderímos aprender com isso.
Ao invés de estamparmos na cara do telespectador marcas famosas de uma maneira abusiva, para não dizer ridícula, deveríamos pensar estrategicamente no contexto, no produto e na audiência; e utilizar o que erroneamente chamamos de merchandising, de uma maneira astuta e agradável.
Deveríamos aprender com Ken.
"Dicas de Com e Mark" é um blog sobre as ocorrências da vida diária, sejam elas serviços oferecidos, produtos comprados, produtos usados, etc. "Dicas" pode ser muito útil para empresários de todos os segmentos, pois tem como pano de fundo o Comportamento do Consumidor. As "Dicas", portanto, podem ser vistas ainda, como insights para pesquisas qualitativas. O teor crítico e reflexivo pode instigar questionamentos pronfundos para o profissional de marketing.
Páginas
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
I-30...35... It's enough! Já chega!
Já faz tempo que a familia I(í) chegou ao mercado. I-30, I-35...
No início, um trabalho de vanguarda. Carro de excelente qualidade, preço adequado ao público e uma campanha publicitária emplogante.
Primeiro vieram as comparações com marcas culturalmente superiores, e depois uma associação a um vira-latas em cenários surpreendendes... e surpreendentemente baratos.
Assim foi lançado o I-30, sucesso instantâneo, e corroborado pelas opiniões de usuários super satisfeitos.
E assim ele, e depois o I-35 desfrutaram um prestígio alcançado por poucos no exigente e difícil mercado brasileiro de carros não populares.
Assim também a fabricante Hyundai conseguiu construir sua marca, alcançando também um posto de destaque.
Mas agora, somente 2 anos depois, tanto empresa como carro já se sentem OS MELHORES DO MUNDO. Como assim?
Não conhecem o mundo?
Basta uma breve viagem ao Estados Unidos para se perceber que nenhum carro da Hyundai é o MELHOR DO MUNDO. nenhum carro o é. Pode ser que tenha o câmbio mais avançado, o pneu que freia mais rápido, o CD player mais colorido, etc... mas ousar que é o melhor carro - genérico - do mundo é demais para consumidores que pensam.
É demais também fazer tal afirmação, sendo que ninguém conhece todos os carros do mundo. Afinal de contas, para dizer isso, é preciso conhecer todos, correto?
Somente sei que tirei a melhor nota, se souber a minha, e também as de todos os outros...!
Ok, talvez seja somente uma estratégia de marketing... comunicação... propaganda... Mas aí também erram: Aquele que precisa afirmar o que é, na verdade contraria o que está sendo dito.
Nenhuma linda mulher fica dizendo que É LINDA. Nenhum excelente jogador se promove como o melhor DO MUNDO. A mídia o faz... e é isso que dá credibilidade ao fato.
Mas a auto-intitulação, não rola; não cola.
Na verdade afasta; basta lembrar o tão colado slogan do Nissan Sentra: "Não tem cara de Tiosão".
O que virou? CARRO DE TIOSÃO.
Se a lógica for seguida, portanto, teremos o PIOR carro do mundo em alguns meses.
E com a frequência de exposições na mídia, então...
Todo dia, todo dia... O MELHOR DO MUNDO... O MELHOR DO MUNDO... O PIOR DO MUNDO... O PIOR DO MUNDO... O PIOR DO MUNDO...
Experimenta... experimenta...
No início, um trabalho de vanguarda. Carro de excelente qualidade, preço adequado ao público e uma campanha publicitária emplogante.
Primeiro vieram as comparações com marcas culturalmente superiores, e depois uma associação a um vira-latas em cenários surpreendendes... e surpreendentemente baratos.
Assim foi lançado o I-30, sucesso instantâneo, e corroborado pelas opiniões de usuários super satisfeitos.
E assim ele, e depois o I-35 desfrutaram um prestígio alcançado por poucos no exigente e difícil mercado brasileiro de carros não populares.
Assim também a fabricante Hyundai conseguiu construir sua marca, alcançando também um posto de destaque.
Mas agora, somente 2 anos depois, tanto empresa como carro já se sentem OS MELHORES DO MUNDO. Como assim?
Não conhecem o mundo?
Basta uma breve viagem ao Estados Unidos para se perceber que nenhum carro da Hyundai é o MELHOR DO MUNDO. nenhum carro o é. Pode ser que tenha o câmbio mais avançado, o pneu que freia mais rápido, o CD player mais colorido, etc... mas ousar que é o melhor carro - genérico - do mundo é demais para consumidores que pensam.
É demais também fazer tal afirmação, sendo que ninguém conhece todos os carros do mundo. Afinal de contas, para dizer isso, é preciso conhecer todos, correto?
Somente sei que tirei a melhor nota, se souber a minha, e também as de todos os outros...!
Ok, talvez seja somente uma estratégia de marketing... comunicação... propaganda... Mas aí também erram: Aquele que precisa afirmar o que é, na verdade contraria o que está sendo dito.
Nenhuma linda mulher fica dizendo que É LINDA. Nenhum excelente jogador se promove como o melhor DO MUNDO. A mídia o faz... e é isso que dá credibilidade ao fato.
Mas a auto-intitulação, não rola; não cola.
Na verdade afasta; basta lembrar o tão colado slogan do Nissan Sentra: "Não tem cara de Tiosão".
O que virou? CARRO DE TIOSÃO.
Se a lógica for seguida, portanto, teremos o PIOR carro do mundo em alguns meses.
E com a frequência de exposições na mídia, então...
Todo dia, todo dia... O MELHOR DO MUNDO... O MELHOR DO MUNDO... O PIOR DO MUNDO... O PIOR DO MUNDO... O PIOR DO MUNDO...
Experimenta... experimenta...
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
O Comportamento do Consumidor e o caro Indiano Nano
Em recente artigo publicado na revista Epoca Negócios, ficou claro que algumas grandes empresas, com recursos aparentemente infinitos, e profissionais qualificados, comentem erros críticos, ainda que básicos. Um deles é esquecer de analisar e considerar o comportamento consumidor; não só no momento da compra, mas em todos os momentos.
Vejamos o que aconteceu no caso do Nano.
1. O Consumidor e o Preço: talvez eles até tenham acertado no preço inicial do carro, mas um erro no processo fez com que houvesse um incremento de 7%. Com isso, o mesmo consumidor objetou-se à aquisição. 7%, as vezes, fazem toda a diferença, mesmo no segmento de carros populares.
Junta-se isso à falta de crédito aos consumidores de baixa renda, e tem-se uma idéia do cenário.
2. Percepção da Garantia: para resolver o problemas mecânicos apresentados, a empresa resolveu estender a garantia para 4 anos. Isso pode ter levado os futuros compradores a desconfiarem ainda mais da empresa..."Quatro anos de garantia...!"
3. O consumidor e o reconhecimento da culpa: após o incêncio de alguns veículos, a empresa recusou-se a admitir o erro, culpando os instaladores do som do carro. Sob a ótica do Consumidor, não interessa; ele que mais é um sincero pedido de desculpas e o reparo do erro. O reverso da medalha são centenas, e depois milhares de compradores, usuários e potenciais compradores desconfiados.
4. O Consumidor e o Uso do Produtos Antes de se lançar um produto no mercado, deve-se avaliar cuidadosamente como, onde e de que forma o produto será usado; ou consumido, como preferir. No caso do Nano, aparentemente essa premissa foi deixada ao acaso. Conclusão, o carros eram maior que as ruas da cidade onde deveriam circular (fato facilmente observável, visto que a moto é o principal meio de locomoção por lá - e não é por acaso) e não cabiam nas garagens dos moradores!
5. A questão da Potência: carros são a paixão de muitos homens; há algo de viril relacionado à compra e ao consumo de carros... sentí-lo na mão! A potência no Nano também não correspondeu ao esperado. Deixou na mão!
Faltou aos estrategistas entenderem um pouco mais do seu mercado. Daí, inclusive, talvez, seu grande problema. Não enxergaram de fora. Não viram o óbvio. Talvez não tenham lido "Obvio Adams", brilhante livro de Updegraff, Robert R que aponta para a necessidade deste tipo olhar. Óbvio, ainda que de fora. Portanto, mais livre de viéses; olhares presos ao paradigma do dia a dia.
Assim talvez o Nano tivesse conseguido ser Great!
Vejamos o que aconteceu no caso do Nano.
1. O Consumidor e o Preço: talvez eles até tenham acertado no preço inicial do carro, mas um erro no processo fez com que houvesse um incremento de 7%. Com isso, o mesmo consumidor objetou-se à aquisição. 7%, as vezes, fazem toda a diferença, mesmo no segmento de carros populares.
Junta-se isso à falta de crédito aos consumidores de baixa renda, e tem-se uma idéia do cenário.
2. Percepção da Garantia: para resolver o problemas mecânicos apresentados, a empresa resolveu estender a garantia para 4 anos. Isso pode ter levado os futuros compradores a desconfiarem ainda mais da empresa..."Quatro anos de garantia...!"
3. O consumidor e o reconhecimento da culpa: após o incêncio de alguns veículos, a empresa recusou-se a admitir o erro, culpando os instaladores do som do carro. Sob a ótica do Consumidor, não interessa; ele que mais é um sincero pedido de desculpas e o reparo do erro. O reverso da medalha são centenas, e depois milhares de compradores, usuários e potenciais compradores desconfiados.
4. O Consumidor e o Uso do Produtos Antes de se lançar um produto no mercado, deve-se avaliar cuidadosamente como, onde e de que forma o produto será usado; ou consumido, como preferir. No caso do Nano, aparentemente essa premissa foi deixada ao acaso. Conclusão, o carros eram maior que as ruas da cidade onde deveriam circular (fato facilmente observável, visto que a moto é o principal meio de locomoção por lá - e não é por acaso) e não cabiam nas garagens dos moradores!
5. A questão da Potência: carros são a paixão de muitos homens; há algo de viril relacionado à compra e ao consumo de carros... sentí-lo na mão! A potência no Nano também não correspondeu ao esperado. Deixou na mão!
Faltou aos estrategistas entenderem um pouco mais do seu mercado. Daí, inclusive, talvez, seu grande problema. Não enxergaram de fora. Não viram o óbvio. Talvez não tenham lido "Obvio Adams", brilhante livro de Updegraff, Robert R que aponta para a necessidade deste tipo olhar. Óbvio, ainda que de fora. Portanto, mais livre de viéses; olhares presos ao paradigma do dia a dia.
Assim talvez o Nano tivesse conseguido ser Great!
Marcadores:
Comportamento do Consumidor
Assinar:
Postagens (Atom)
